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Ernesto Lozardo

São Paulo/SP
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Ernesto Lozardo

Professor de Moedas e Bancos, Política Econômica e Economia Monetária na FGV desde 1977. Palestrante sobre política econômica brasileira e globalização econômica.


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"A nova economia brasileira"
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"A nova economia brasileira"


Enquanto nos países da zona do euro o desemprego é superior a 11%, o que representa mais de 18 milhões depessoas, e a taxa de crescimento está próxima de zero, indicando recessão econômica, no Brasil ocorre algo inusitado. Neste ano, o crescimento econômico brasileiro deverá ser em torno de 1,5%, ou seja, baixo; nessas condições, o desemprego deveria ser elevado, como sempre, mas não será. A taxa de desemprego caminha para se estabilizar em torno de 5,4% ao ano, um número muito baixo para o próximo ano, estima-se uma taxa de crescimento de 4%, e o desemprego tenderá a ser ainda menor. O que explica essa divergência da economia brasileira? E o que esperar no futuro?


Crescimento econômico resulta daexpansão dos investimentos, que elevam a renda social, que, por sua vez, estimula a expansão do crédito ao consumo, e tudo isso resulta na queda do desemprego. Mas não é bem isso o que está ocorrendo no Brasil. O crescimento tem ocorrido pela expansão do crédito às pessoas físicas e da demanda internacional pelas commodities: minério de ferro e grãos.


A mudança brusca na demanda pelas commodities e no crédito causou um choque interno, que, de um lado, resultou na retração da produção, do lucro empresarial e dos investimentos, e, de outro, aumentou a inadimplência das famílias junto ao sistema bancário. Se os investimentos caíram, como se explicao fato de o emprego ter aumentado?


A expansão do crédito impulsionou, principalmente, a expansão das atividades do setor de serviços, que absorveu a mão de obra desempregada do setor industrial. A demais, o custo de demissão é elevado. Nesse sentido, como as expectativas de crescimento econômico a partir do próximo ano são consistentes, os empresários estão adiando a possibilidadede demissão. Nos últimos anos, a redução da informalidade tornou oneroso o custo da recontratação. Como a taxa de crescimento da oferta de mão de obra economicamente ativa é cadente, ela também favoreceu a queda do desemprego.


A oferta de crédito continuará crescendo acima de 53% do PIB, e o percentual do comprometimento da renda familiarem relação à dívida de crédito estabilizou-se em torno de 22% e tenderá a ser menor. A taxa de crescimento da renda familiar tende a ser maior nos próximos anos. Com isso, abrir-se-á espaço para uma nova rodada de endividamento na aquisiçãode bens duráveis e serviços. Se somarmos a isso os programas de investimentos do Governo Federal na infraestrutura e em modais logísticos superior a R$ 100 bilhões por ano, até 2017, aumentará a demanda por mão de obra.


Essas perspectivas futuras serão responsáveis pela nova história do crescimento, da competitividade e do empregono país.


Ernesto Lozardo

Professor de economia da EASP-FGV

publicado no Jornal Folha de São Paulo

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