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Paola Antonini

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Paola Antonini é Modelo. Quando um fardo, um obstáculo ou uma tragédia pessoal aparece na vida de alguém, é relativamente comum que essa pessoa encontre consolo no desafio que a vida passará a ser a partir de então. Como se, em vez de uma fatalidade, a desventura representasse uma nova missão de vida. Paola não assume esse discurso com facilidade, embora ele pareça se encaixar na história dela como uma luva. Ou como a prótese nem um pouco discreta – brilhante, inclusive – que hoje substitui sua perna esquerda.

 

"Tem quem diga que foi uma missão. Eu não sei, não penso nisso. Foi, sim, um propósito que surgiu pra minha vida. Se foi uma missão, espero estar fazendo o meu melhor", ela divaga no lobby do hotel minutos antes de um evento promovido pela marca de cosméticos The Body Shop em Porto Alegre, um dos muitos destinos que teve a oportunidade de conhecer depois do acidente, em 2014.

 

Eram 5h da madrugada quando Paola e o namorado carregavam as malas no porta-malas do carro para passar a virada de ano em Búzios. A metros dali, lomba acima, uma motorista de 24 anos sob influência de álcool tentou recolher o celular que caíra no piso do carro. Ela perdeu o controle do veículo e atingiu o casal. Arthur teve apenas ferimentos leves, mas Paola ficou prensada da cintura para baixo entre os dois carros.

 

O acidente com a jovem modelo repercutiu na imprensa e provocou compreensível comoção em Minas Gerais. Mas Paola começava, ali, a surpreender aos familiares recusando desde os primeiros minutos o papel de protagonista de dramalhão. Segundo a família, ela não só ficou consciente por horas até o socorro chegar como se encarregava de acalmar aos demais. Seu único cuidado era não olhar para a perna. Bastavam os olhos arregalados de todos que espiavam.

 

Prestes a entrar para cirurgia, Paola se deu conta de algo e puxou a manga de um dos médicos. Perguntou em bom mineirês: "Doutor, eu não vou morrer, não, né? Porque, se eu for, não me despedi de ninguém, uai". Tranquilizada pela equipe médica, Paola entrou na sala de cirurgia e saiu 14h depois. A perna esquerda não pôde ser salva. Foi amputada abaixo do fêmur. Os esforços para salvar a perna resultariam também em uma cicatriz enorme na perna direita, de onde os médicos retiraram uma veia para tentar transplantá-la, sem sucesso, ao membro comprometido.

 

"Tinha a Paola como uma pessoa muito positiva, mas tanto eu quanto os médicos estranhamos o quanto ela encarou a amputação com naturalidade. Só insistia que estava grata de ter sobrevivido. Alguns me disseram que isso acontece em alguns casos. A ficha só cai depois, e a paciente pode entrar em depressão. Eu deveria ficar preparada", conta Diva Antonini, mãe de Paola.

 

A modelo foi convidada para participar do programa Encontro com Fátima Bernardes, apenas três meses após o acidente. Nervosa e ainda não muito segura de caminhar pelo palco, preferiu começar o programa sentada. A repercussão foi imensa, e a quantidade de pessoas a fim de trocar experiências ou apenas curiosas sobre o seu dia-a-dia levou Paola a começar um canal de YouTube, fundado em agosto de 2015. Hoje, conta com quase 300 mil inscritos. Ali, nota-se que o tempo fez Paola deixar a insegurança para trás: já apareceu dançando, fazendo academia, desfilando ou simplesmente de zoeira com o namorado – que sim, ficou e está do lado dela até hoje.

 

12/2019


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