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Glória Kalil

São Paulo/SP
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Glória Kalil

Jornalista, Empresária e Consultora de Moda. Desde 1995, dedica-se à consultoria de estilo e negócios ligados ao campo da moda e do comportamento. Foi diretora de confecções de empresas como Fiorucci e Jeigikei.


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"E agora, o que é que eu faço?"

"E agora, o que é que eu faço?"


Quais as grandes dúvidas da humanidade? Em matéria de etiqueta, não poderiam ser mais simples. As mulheres querem, acima de tudo, saber o que usar num casamento. Os homens continuam confusos na hora de escolher a cor das meias. E todos se atrapalham (sim, até hoje) com a ordem dos talheres e copos à mesa. Será que é só isso? Gloria Kalil, a especialista em moda que meio por acaso virou conselheira nacional em assuntos de etiqueta e comportamento, constata na prática que não. Num mundo em rápida transformação, as mudanças de valores e de referências éticas e morais provocam dúvidas que chegam a Gloria por meio do popular quadro que faz a cada quinze dias no Fantástico, em palestras e, claro, nas ruas, onde sempre aparece uma perguntazinha. No fundo, as pessoas querem saber o que é certo e o que é errado. Nem sempre é possível resolver esse anseio. "Etiqueta é uma resposta a situações recorrentes. Existem situações novas para as quais ela ainda não tem resposta. Em breve, vai ter. Dos costumes sai a convenção", diz Gloria.

Exemplo de situação dúbia: o hábito dos noivos contemporâneos, em especial a partir do segundo casamento, quando já moram juntos e têm tudo, de pedir dinheiro de presente. Do ponto de vista pragmático, nada mais lógico. Os presenteados não recebem uma montanha de coisas inúteis, os presenteadores fazem uma transferência eletrônica e, pronto, problema resolvido. Além do bem-vindo dinheirinho, noivos mais preocupados também gostariam de encontrar uma maneira elegante de fazer o pedido. "Pelo menos por enquanto, não existe", diz Gloria, fiel à escola tradicional de bom comportamento. "A etiqueta vai responder, mas ainda está engasgada com essa novidade." O materialismo conjugal pode realmente ferir suscetibilidades. A empresária Regina Vergueiro se sentiu ofendida ao receber, juntamente com o convite para um suntuoso casamento em São Paulo, um envelope vazio, destinado "à contribuição aos noivos, de mudança para a Europa, o que torna inviável o transporte de peças". Regina planejou uma refinada vendeta: "Fiz de conta que não entendi, comprei uma obra de arte, mandei entregar com um cartão e não fui ao casamento".
 
O interesse pelo comportamento adequado, em especial diante dos novos tempos e novos costumes, é universal. Nos Estados Unidos, colunistas especializadas viraram estrelas desde a metade do século passado. A coluna Dear Prudence (que está na terceira titular, Emily Yoffe), inaugurada em 1997 na revista eletrônica Slate e publicada hoje em mais de 200 jornais, reúne algumas das perguntas mais engraçadas - e instigantes - do gênero. Exemplo: um espírito aflito queria saber como dizer ao irmão que a mulher dele deveria usar sutiã para não deixar transparecer o bico dos seios (cale a boca e não se meta, respondeu a colunista). Em outro dilema de teor familiar, um pai às vésperas do nascimento do primeiro filho não se conformava com a exigência da mulher de que, além dele, a mãe dela também assistisse ao parto. "Quero que seja o momento do começo da nossa família", angustiava-se. Resposta: ceda ao desejo dela, não ponha mais pressão em quem já vai ter tanto trabalho. Até Dear Abby, a mais tradicional coluna de etiqueta dos Estados Unidos, fundada em 1956 e hoje tocada pela filha da autora original (na verdade, Pauline Phillips), publicada em 1.400 jornais do mundo, recentemente capitulou. Deixou de lado suas usuais meias palavras sobre a questão e declarou que pessoas do mesmo sexo podem, sim, se casar.

Adequação aos novos tempos é, justamente, o grosso do texto do livro que Gloria lança no fim de outubro, Alô, Chics! - Etiqueta Contemporânea, baseado na enxurrada de perguntas que recebia em um programa de rádio em São Paulo. O que fazer quando, na farmácia, se encontra um conhecido comprando uma caixa de Viagra? "Nada. Mas nada mesmo", responde Gloria. "E, quando se encontrarem de novo, aja como se não se lembrasse." Há perguntas irrespondíveis por pertencerem à esfera dos valores privados, e não da ética coletiva. Devo ou não deixar que meus filhos levem namorados e namoradas para dormir em casa? "Pelo amor de Deus, me deixem fora dessa. Vocês é que sabem quanto isso vai incomodar", diz Gloria, que não tem filhos nem bichos de estimação. Estes, aliás, um problema para quem ama os animais, mas não acha graça em tomar banho de baba de cachorro em visita a seus donos. Se a situação obriga, conforme-se, aconselha ela: chegando à casa dos anfitriões, faça festa para o bichinho. Aos donos, porém, cabe impor limites (como se vê, a gentilíssima Gloria entende de bons modos, mas não de cachorros). A jornalista Ana Paula Padrão já enfrentou a questão canina num jantar na casa de amigos. "A Dulcinéia, uma buldogue inglesa mimadíssima, começou a comer o laço do meu sapatinho Prada. Se fosse qualquer outro, teria ficado quieta. Mas aquele era meu único Prada e tinha custado uma fortuna. Pedi socorro ao dono e salvei o sapato", conta.

Enquanto surgem situações novas, outras perdem o sentido, caem em desuso e desaparecem. Gloria considera em fase terminal um mandamento que parecia gravado nas tábuas da lei: a proibição de cortar com faca as folhas de alface na salada, regra de etiqueta que foi ensinada, em clima de espanto, a Bebel, a personagem de Camila Pitanga na novela Paraíso Tropical. "A regra surgiu quando as facas eram de ferro e, ao cortar folhas, deixavam-nas com aspecto feio e escuro. Isso acabou. Portanto, tenho certeza: os dias de dobrar alface em trouxinhas estão contados." Até no mundo exigente da etiqueta existem boas notícias.


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